terça-feira , 21 novembro 2017
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LIBERDADE RACIONALIZADA

LIBERDADE RACIONALIZADA

De fato, a razão pode ser o que nos diferencia dos outros animais. Àqueles que vivem cada momento sem saber que a morte se aproxima. Somos os únicos seres capazes de conhecer o que nos espera e ainda assim, nada fazemos a respeito.

A busca incansável pela razão, nos afasta de nossas crianças interiores tornando-nos sábios, ricos e sozinhos. Perdemos a essência de quem somos pela ilusória opinião do alheio. Entregamos ao acaso apenas a vontade, o desejo. Ao momento, oferecemos a razão.

Nesta proporção, os sonhos distanciam-se da realidade e estamos todos em um mundo paralelo, carente de afeto.

Romain-Rolland, ao comentar uma obra de Freud disse – A razão é um sol impiedoso; ele ilumina, mas cega. Escrito no século 19 o homem já caminhava pela estrada da razão. A racionalidade tornou-se a prisão do homem contemporâneo que transpira amor apenas em suas orações. Orações guiadas a uma força maior que ainda não conhecemos, mas que quase sempre evocamos em momentos de conflitos, necessidades ou profunda ansiedade. Definitivamente, abrimos mão do presente da vida, para sobreviver do passado buscando uma antecipação ao futuro. Mas não é o presente que temos?

Mascarada de maturidade, a razão se esconde entre os homens afastando de seus planos a     “imaturidade” do sentir. A emoção perde força e a criança, aquela que sabia amar sem medo de se entregar, morre para dar lugar ao homem sábio, de reputação elevada, próspero e sozinho.

Cegos, buscamos a felicidade no sorriso de aprovação do outro enquanto nosso EU cala-se com medo do externo. Preocupados em nos tornarmos a razão do nosso sucesso, esquecemo-nos de que a inteligência emocional é composta pela capacidade de abstrair e intuir. Percebo que nossa inteligência torna-se cada vez mais artificial, composta de uma série de fatos não vividos ou não comprovados por nós mesmos. As próprias teorias morrem antes de nascer, porque não conhecemos aquilo que sabemos.

Hoje, são poucos os que conhecem a textura de uma árvore; o cheiro de uma flor do campo ou o calor de um contato afetuoso, livre de razão. Podemos descreve-los acessando o que aprendemos nas palavras e nos ensinamentos de outros. Abrimos mão de nossas próprias experiências e oramos para que alguém nos envie as respostas para perguntas que insistimos em não fazer, instintivamente por medo de nos descobrirmos ignorantes da VIDA.

Sobrevivemos na prisão da posse e da aceitação, imaginando encontrar a liberdade na fuga do momento atual e no esforço do outro em nos acolher. Perdemos o contato com nossa essência. Passamos a vida inteira fingindo busca-la e a chamamos de felicidade. No fundo sabemos que somos a nossa própria felicidade e única coisa que realmente temos, mas não nos satisfazemos porque nada somos se não nos aceitam e lá estamos nós vivendo os conflitos de outros. As possibilidades de outros. O amor de outros.

A fé em nós mesmos é direcionada aos céus, afastando para longe as possibilidades de nos responsabilizarmos pelos nossos sucessos, aprendendo com os fracassos. Nossa vida escapa pelos dedos e atribuímos a sorte o motivo de nossa inércia e ausência do agir.

a-liberdade-so-sera-possivel-quando-voceCertamente não seremos amados e aceitos por todos. Estaremos longe daqueles seres bem desenvolvidos capazes de viver do amor e para o amor, mas temos o poder de sermos o melhor que pudermos e a isso chamo de RESPEITO. Respeito pela vida e pelo o outro que nos quer bem da forma que somos. Não nascemos prontos, mas melhoramos. A vitória está em evoluir em direção a si, aproximando-se dos outros. Cada passo que damos em direção ao outro, sem agirmos internamente, é um passo em direção contraria a felicidade que nos pertence.

Encarcerados, geramos filhos sufocados pelo medo de assumirmos nossas fragilidades. Amor e asas são presentes sugeridos aos filhos. Mas o que é mesmo o amor? E as asas podem de fato nos levar para onde?

É hora de começarmos a viver se não por nós, pelos nossos filhos. A vida é mais livre do que imaginamos, mas a coragem de nos enxergarmos e fazermos diferente é o que pode realmente nos libertar.

Sobre Ricardo Robles

Apaixonado por GENTE, diversidade, filosofia, natureza, esporte, empreendedorismo e o simples da vida. Entusiasta das relações humanas e dos resultados obtidos por meio delas. Cofundador da Work4All (www.work4all.com.br). Carreira consolidada na área de Recursos Humanos ao longo dos últimos 20 anos. Especializações em Gestão de Finanças e Controladoria–USP, Gestão de Negócios–FGV, Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard–FIA. Executive Coach formado pela ICF International Coach Federation.

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