terça-feira , 21 novembro 2017
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A Vida – Jogo dos 7 erros

CINCO-LIÇÕES-PARA-USAR-SUAS-FRAQUEZAS-A-SEU-FAVOR

Nos acostumamos tanto com a cultura do melhor que nos esquecemos que o melhor é resultado de um processo. Na verdade, adoramos curtir frases como “… o que importa é o caminho e não o destino…”, mas paramos pouco tempo para entendermos o que realmente significa.

Frases clichês ou não como estas explicam de forma simples e com um altíssimo poder de síntese o que realmente importa na vida. Funcionam como pílulas do saber, mas quase nunca refletimos sobre elas.

Reparem como as sessões de terapias andam cheias ultimamente. No passado, procurávamos psicólogos ou terapeutas para problemas resultantes de traumas fortíssimos. Geralmente estas sessões buscam nos conectar com a gente mesmo. O termo criança interior aparece com frequência. Quase sempre os adultos sofrem de crises de aceitação, porque quando crianças não fomos preparados para a frustração. Desde a infância somos treinados para uma vida de sucesso com pouquíssimo espaço para o erro.

Resistentes ao erro e buscando incansavelmente a aceitação justificada pelo sucesso que perseguimos, criamos dentro de nós um paradoxo perigoso. Como alcançar o sucesso se não podemos errar? É aí que entra o processo.

Não há criança que aprendendo a andar não tenha caído inúmeras vezes. São raros os casos de esportistas que conseguem a glória no esporte invictos. Empresários de sucesso tropeçam e alcançam o auge contabilizando os tombos e os fracassos. Algumas das descobertas mais importantes do mundo surgiram do erro. Alexander Fleming notou que um mofo havia contaminado algumas de suas culturas bacterianas. Percebeu também que a área que rodeava o mofo estava livre de bactérias. Desta forma surgiu a penicilina que lhe rendeu um prêmio Nobel.

É preciso entender que errar faz parte do aprendizado e, portanto, nos liberta para viver.

Eu gosto de escrever, mas demorei muito para divulgar alguns textos e ainda sinto muita insegurança sobre eles. A questão é que escrevendo apenas para mim, não conseguia entender onde preciso melhorar e principalmente, como adquirir a confiança necessária para continuar evoluindo. Esta é a questão!

O medo de errar nos congela e pára o nosso tempo em relação a vida. Ela não pára, mas paramos nela. Envelhecidos e frustrados de frente para o espelho, nos arriscamos a repetir, em voz baixa, algumas das frases que lemos durante a vida medíocre e de medo que sobrevivemos, até aquele momento. Lamentamos o tempo perdido. Quantas histórias assim conhecemos?

Errar exige uma dose do que considero fundamental para uma vida plena: desapego. Desapegar-se da ilusão de ser MELHOR ou da ilusão de ser perfeito é o caminho mais fácil para aceitação. As pessoas não conseguem se identificar com a perfeição. Estamos nos formando. Não há espaço para o perfeito em um mundo de mudanças tão ágeis e constantes.

Estou convencido que o apego é antagônico a aceitação. Vivendo os dois extremos dispensamos a magia do viver, devolvendo para qualquer que seja o nome da força superior que nos presenteou com a vida, um livro em branco repleto de vazios. Vazios que bem poderiam significar o MEDO.

Errar é sinônimo de movimento. É arriscar-se à imortalidade por meio das tentativas. É construir legado para quem realmente amamos. É libertador. É dar sentido ao que não conhecemos e principalmente, aprender.

É preciso se preocupar com os erros velhos. Com eles já não aprendemos mais. Os novos erros nos transformam no melhor que podemos ser para aquele momento. Continuamos imperfeitos porque continuamos em formação, mas naquele momento somos um pouco melhores do que éramos. Arriscamos a nos fazer melhor.

Quem sabe dá certo? Vivemos em um tempo onde pronunciar esta frase em voz alta ao lado de pessoas que pouco conhecemos é quase como uma solicitação a crítica não construtiva. Arriscar-se é loucura para os que vivem da razão, esquivando-se da intuição.

O ser humano é um animal intuitivo. Graças a intuição do homem chegamos até aqui. Intuição, organização prática e teórica das ideias, coragem para empreender e realizar alimentam a evolução do mundo.  Infelizmente, além destas qualidades, ainda convivemos com a ganancia e a vaidade, que fazem com que nem tudo o que construímos seja bom para a nossa evolução. Mas este não é o ponto. Nascemos e vivemos do movimento e movimentar-se significa errar.

Como no jogo dos 7 erros, enumero o que credito impedir as pessoas de se arriscarem a conquistar suas próprias vitórias, orgulhando-se de suas tentativas.

O JOGO DOS 7 ERROS

7erros

ERRO Nº 1: ACHAR QUE A TECNOLOGIA NOS DÁ A SEGURANÇA QUE PRECISAMOS PARA ERRAR

10413087_1419548641652835_1199423679_nEscrevendo este texto fui e voltei várias vezes. Apaga linha, volta linha. Corretor ortográfico. Pesquisas em tempo real na internet. Tudo isso pode nos dar uma falsa ilusão de que o mundo hoje empreende porque estamos mais tolerantes ao erro. Ou que eles podem ser corrigidos com mais facilidade.

Na verdade não penso desta forma. Temos o acesso as informações de forma muito mais prática e rápida. No passado escrever este texto em máquinas de escrever consumiria tempo, papel e uma boa dose de paciência. Hoje com a tecnologia, isso está mais fácil. No entanto, a exposição é maior e portanto o erro assume proporções mais profundas.

A má interpretação de algo escrito aqui pode influenciar a percepção das pessoas. Uma palavra má escrita ou uma frase fora do contexto abre espaço para alguém interpretá-la de uma forma diferente.  Em situações mais graves a exposição assume caráter exponencial.

O mundo conectado que vivemos nos permite uma exposição e visibilidade maior. Obviamente também podemos selecionar a exposição que queremos e como cultuamos O MELHOR. Sempre queremos expor os melhores lugares, textos, amigos, momentos. No entanto, não somos feitos apenas dos melhores momentos. Isto cria uma falsa ideia de que as pessoas são melhores e portanto mais felizes. A avaliação superficial do estado do outro esfria a relação entre as pessoas e as tornam mais distantes. As pessoas recolhem-se diante da intimidação do MELHOR praticada pelo outro. Com a frieza, a cobrança pelo acerto intensifica-se ainda mais. Continuamos cegos buscando o melhor.

O melhor cria a pressão pelo acerto imediato. Embora eu esteja aqui compartilhando com você o meu aprendizado, alguém poderá ler este texto esperando a perfeição. Ai de mim se não estiver a altura de suas expectativas ou de suas próprias frustrações. Claro! A cultura do vencedor só existe com a figura do perdedor. A perfeição torna-se então uma desculpa para sobrevivência, que nada tem a ver com o VIVER.

A pressão pelo acerto imediato é o legado de um mundo moderno, conectado. A tecnologia nos ilude fazendo-nos acreditar que podemos ter o controle sobre tudo. Todas as informações estão ao nosso alcance. Mas nem todos conseguem processá-las e transformá-las em conhecimento.

Errar é desprender-se de controle. A ausência de controle nos dias atuais limita o ser humano, que consome medo em doses cavalares do despertar ao adormecer.

ERRO Nº 2: NÃO SE CONHECER O SUFICIENTE

arriscar-npPara muitos iniciar uma nova carreira significa a possibilidade de errar e errar feito. Para outros, a possibilidade de se reinventar. Se reinventar não significa deixar para traz tudo o que aprendeu até aqui. Significa direcionar força e energia para algo novo considerando as experiências acumuladas até aqui.

Perceba que as possibilidades de sucesso aumentam consideravelmente. Quando as pessoas iniciam suas carreiras, muitas ainda cultivam a dúvida sobre o que realmente gostam de fazer. Tudo o que possuem é um conhecimento teórico sobre uma porção de coisas ainda não experimentadas. Por medo, acabam seguindo em frente. Um dia percebem-se desconectadas de si próprias e seguem na busca de alguém que possa conduzi-las de volta a elas mesmas.

O fato é que na hipótese de uma nova carreira o conhecimento que se precisará obter é menos valioso do que aquele acumulado até o momento da decisão. Caso o conhecimento necessário seja conceitual, pode-se compra-lo. Dependendo de sua cumplicidade com a proposta de mudança é possível aprender lendo, estudando, observando, conversando com especialistas. Não se trata de conhecimento vivencial como aquele que já acumulou.

O conhecimento que a vida nos apresenta só pode ser adquirido por meio da experiência. Cada novo desafio nos apresenta mil maneiras de enfrenta-lo novamente e isto nos faz crescer como pessoa.

No entanto, a pessoa que paralisa em relação a possibilidade de mudança, muitas vezes está mais preocupada com percepção externa do que com as condições necessárias para assumir o controle da própria vida.

Opa! Controle de novo. Reparem como é tão mais fácil controlar os outros incluindo suas percepções sobre nós, do que a nossa própria vida. Controle é algo que afasta a experiência e o aprendizado.

Os que convivem bem com ele passam uma vida sem riscos e portanto, mais vazia. O controle afasta o acaso onde se escondem todas as nossas oportunidades, paixões, alegrias e o amor.

O livro Escolha sua Vida (ed. Sextante), escrito pela carioca Paula Abreu, uma advogada que resolveu abandonar sua carreira de 15 anos nos explica como ela conseguiu vencer o medo de errar – pois só assim decidiu mudar.

No livro ela sugere que o maior desafio é encontrar a clareza da vida que se quer levar. Sugere algumas perguntas para isso: o que faz seu olho brilhar? O que faz o temo parar? Por fim, aquela que derruba os últimos argumentos: se tudo der errado, qual é a pior coisa que pode acontecer? Para Paula, “erro não é fracasso, é resultado. Um resultado leva a outro, que pode se tornar acerto”, defende.

“As consequências de não agir são piores do que as de agir. Bater em portas erradas faz parte. Senão, como encontrar a porta certa?” – complementa Paula.

Entender o que nos faz feliz é o primeiro passo para largarmos o controle do alheio e focarmos energia para construirmos a nossa própria trajetória de vitória.

ERRO Nº 3: SE TIVER QUE ERRAR, ERRE RÁPIDO!

Melhores PráticasPara quem está apegado ao controle e ao planejamento, dando as costas ao acaso, o livro A Startup Enxuta (ed. Leya), de Eric Ries não é uma boa leitura. O livro subverte o processo tradicional de criação e sugere o erro como parte fundamental do aperfeiçoamento e consolidação das startups (empresas, produto ou ideia de negócio em fase de operação inicial).

Quanto mais rápido a decisão for tomada, mais rápido virá o aprendizado e a solução do problema. Muitas pessoas passam tempo demais planejando uma ideia ou uma ação buscando aparar todas as pontas. Perdem tempo demais buscando a perfeição. Doce ilusão. Lá se foi a oportunidade!

Não há perfeição nos processos de mudança. Não há perfeição em processo nenhum nesta vida, salvo a morte.

Sempre haverá algo que não dependa exclusivamente de nós. Tempo e mais tempo perdido. Obviamente que considerar os riscos e antecipá-los, optando por desafiá-los ou não faz parte do processo. Mas tente ver o erro como um processo de mudança. Tente enxerga-lo como resultado e não como fracasso, como sugere Paula.

O fracasso do erro, no meu ponto de vista, só pode estar na intenção, nunca na ação. Se a intenção for nobre e se traduzir em algo que o aproxime de você mesmo e dos outros não haverá fracasso, apenas resultado e aprendizado.

ERRO Nº4:  ACHAR QUE TEMOS TODAS AS RESPOSTAS E CERTEZAS

Liberdade

Liberdade

Qual o problema em admitir nossas falhas? Mario Sergio Cortella diz: “…não nascemos prontos…Sou hoje a minha mais nova versão, não a mais velha a mais nova, mas não estou pronto…” Sensacional!

Com este pensamento a tal “melhor idade” fica para traz e os mais velhos assumem o papel do qual jamais deveriam ter saído: são as nossas fontes vivas de sabedoria e conhecimento.

Para viver é preciso reconhecer que não entendemos ao certo o que fazemos aqui. Nascemos sem as respostas que procuramos e é certo que vamos morrer sem elas. Qual o motivo de tanta arrogância em relação ao saber?

Aliás, a sabedoria pode ser a única forma de riqueza que quanto mais compartilhamos, mais acumulamos. Para tanto, é preciso se convencer de que ainda não sabemos nada. Ao fazer isto, abrimos espaço para mais e mais conhecimento.

As pessoas queixam-se da solidão, mas racionalizam e desenvolvem mecanismos de proteção cada vez mais complexos e profundos. É a condenação da criança interior. Neste movimento a arrogância individualiza as pessoas que afogam-se em suas próprias criações.

A violência urbana ou a frieza nas relações é alimentada pelo medo que vemos nos sentimentos de exclusão. Falta de humildade, preconceito, arrogância, ganancia são as fontes de alimentação mais calóricas.

O homem se desenvolveu tanto que por vezes esquece sua origem. Somos animais, descendentes de primatas que vivem em grupo. Enxergam no grupo sua proteção. Somos os únicos que nos protegemos do próprio grupo.

Mesmo em relações amorosas e familiares as pessoas protegem-se uma das outras. O medo toma espaço da paixão e do amor.  Ao invés de descobrirem juntos uma nova fantasia, cultivam no controle e no ciúme o medo da perda, aprisionando o outro em seu próprio ponto de vista.

ERRO Nº5: NÃO RIR DE SI MESMO

tumblr_m8wvuvE8g51rc22oco1_500A coragem para errar e viver vem do amor que cultivamos por nós mesmos. Da mesma forma que nos divertimos com amigos queridos que por vezes fazem alguma besteira, é preciso nos darmos esta chance.

“Viver é desenhar sem borracha” diz Millôr Fernandes. Acho que é este espírito de criança que falta.

No fundo somos as nossas únicas certezas na vida. As pessoas precisam aprender a se bastar. Ao fazer isto, enxergam tudo o que vem do mundo lá fora como plus. Se estou bem comigo mesmo, um novo amor é maravilhoso. Se ele for embora, continuarei bem comigo mesmo. As pessoas ainda se apegam a velha história da metade da laranja. Posso ser uma laranja, mas sou uma laranja inteira e não a metade dela.

Somos humanos e precisamos nos aceitar como tal, considerando nossas forças, mas também nossas vulnerabilidades. Graças a Deus elas existem! Isso mostra que somos imperfeitos e que ainda há muito por fazer!

ERRO Nº 6: ENXERGAR NOSSAS VULNERABILIDADES COMO FRAQUEZAS

dizem-que-a-vidaA autora Brené Brow, autora do livro A Coragem de Ser Imperfeito (ed. Sextante) nos ensina: “Vulnerabilidade não é fraqueza, mas a melhor definição de coragem.” –  pílula de sabedoria!

A fraqueza sugere enxergar o outro como inimigo. A coragem está em arriscar-se rumo ao que se deseja, considerando experiências e conhecimento de si mesmo, mas sem conhecer o que está por vir. Coragem é exposição.

As pessoas que mais se expõem erram mais. São as mais criticadas. Mas também as mais autênticas e realizadas. Tal como qualquer investimento quanto maior o risco, maior é o ganho.

Geralmente as pessoas que conhecem suas vulnerabilidades e as enxergam como tal são as que se apaixonam com mais frequência. São aquelas que dizem “eu te amo” primeiro. As que sentem vontade de fazer alguma coisa quando não há garantias de sucesso, as que desejam investir em um relacionamento que poderia ou não evoluir.

A fraqueza está na paralisia provocada pelo medo. A ação nos aproxima de nossas vulnerabilidades, mas nos torna mais fortes com o gesto.

A fraqueza sucumbi. A vulnerabilidade nos projeta. A fraqueza amedronta o outro. A vulnerabilidade aproxima o outro, porque da mesma forma que ela se revela, revela também nossas virtudes.

O fracasso está na inércia.

ERRO Nº 7: REPETIR ERROS VELHOS

aprenda-a-desapegar-seNão há razão para temer os erros. Os erros antigos são os únicos que nos colocam em risco. Eles sugerem a ausência de evolução.

Se somos tão resistentes em relação ao erro, deveríamos redobrar nossa atenção sobre eles. Enfrentar o risco sem aprender com ele é um convite para repetir situações desconfortáveis. Por qual motivo desejaríamos reviver tais situações. Cada ação nova deve direcionar a algum novo lugar. Fazer as coisas da forma como sempre fazemos vai produzir o resultado que sempre obtivemos. Se o resultado foi um erro, é preciso fazer de outra forma, considerando a experiência anterior.

Os erros melhoram nossa performance e autoestima porque nos projetam. Qualquer que seja seu efeito, o aprendizado sempre estará presente. Ignorar o aprendizado coloca todo o processo em xeque. Pode nos sugerir um processo de auto sabotagem, que foge da proposta de evolução.

“Tudo bem errar, desde que não se torne um hábito”.

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Sobre Ricardo Robles

Apaixonado por GENTE, diversidade, filosofia, natureza, esporte, empreendedorismo e o simples da vida. Entusiasta das relações humanas e dos resultados obtidos por meio delas. Cofundador da Work4All (www.work4all.com.br). Carreira consolidada na área de Recursos Humanos ao longo dos últimos 20 anos. Especializações em Gestão de Finanças e Controladoria–USP, Gestão de Negócios–FGV, Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard–FIA. Executive Coach formado pela ICF International Coach Federation.

Um comentário

  1. Sabia sim, apesar de nunca ter lido nada dele. Segundo parece não se falaram durante anos. Agora, qualquer debate com nojo brti¢Ãnico é delicioso.

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