quarta-feira , 22 novembro 2017
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Redes sociais e rendimento no trabalho: é preciso atenção!
Redes sociais no trabalho

Redes sociais e rendimento no trabalho: é preciso atenção!

Há muita discussão sobre liberdade de acesso às redes sociais durante o trabalho. Alguns entendem que esta é uma forma prática de valorizar o trabalhador, pois, entre os benefícios ofertados pela empresa estaria o acesso livre às redes sociais. Outras já entendem que o controle e a proibição são os melhores caminhos, pois este acesso afeta a produtividade. Ambas ações dependem muito da maturidade do grupo de trabalhadores, do controle sobre resultados de cada trabalhador e a política de Gestão de Pessoas da organização.

Em organizações modernas, cuja atividade permite liberdade ao trabalhador para organizar suas atividades, fica mais fácil deixar por conta dele mesmo a decisão de entrar ou não nas redes sociais durante o trabalho. Alguns até usam a rede como ferramenta de trabalho para divulgar seu trabalho, vender algo ou contatar profissionais de interesse para a atividade. Algo que é preciso destacar, é que esse tipo de organização costuma ser muito eficaz nos controles de resultados. Em outras palavras: “não importa o que o trabalhador esteja fazendo ou como realiza seu trabalho, o que importa é o resultado que oferta no dia e horário combinados!”. Portanto, se não produzir o que se espera, não continuará na organização, mas, se produzir, será valorizado.

Mesmo empresas tradicionais, podem dar liberdade para uso das redes sociais, mas, da mesma forma que acontece nas organizações contemporâneas, há de se ter um controle eficiente sobre a produtividade, transferindo ao trabalhador a responsabilidade de organizar suas atividades. A produtividade, que envolve basicamente quantidade e qualidade do que se produz, deve ser item de peso na Avaliação de Desempenho. Assim, pode-se tirar o foco no uso ou não das redes sociais durante o trabalho e transferir este foco para resultados. Talvez o que mais atrapalhe em boa parte das organizações é o “achismo”, ou seja, achar que o trabalhador não rende porque vez ou outra entra no Facebook.  Não se deve intuir que esteja ocorrendo um mau desempenho, é preciso ser mais objetivo e responder questões como: Esta atitude está ou não atrapalhando o rendimento do trabalhador? Quanto e em que quesito exatamente? Comparado a outro que não costuma acessar as redes sociais, o trabalhador em questão está produzindo menos, igual ou mais que o outro? As respostas a estes questionamentos podem ajudam a entender se o acesso às redes sociais afeta ou não o atingimento do que foi planejado.

Já o controle e a proibição são formas práticas de dar recado aos trabalhadores sobre o que a organização não aceita. No entanto, com o uso dos smartphones e outros tipos de equipamentos que permitem acesso às redes sociais, fica difícil o controle absoluto sobre esta ação. Em algumas organizações, trabalhadores simulam ida ao banheiro somente para entrar na rede social.

Não há uma resposta pronta para tudo isso. Mas, dentro das propostas existentes, a organização pode, por exemplo: a) melhorar seus sistemas de controle sobre produtividade de cada trabalhador, tornando este um sistema prático e objetivo, evitando-se assim, equívocos de julgamento, por conta de acesso a redes sociais ou outros comportamentos semelhantes que também tomam certo tempo, como tomar um cafezinho um pouco mais demorado ou dialogar sobre assuntos diversos com colegas de trabalho; b) inserir na Avaliação de Desempenho (ou adotar Avaliação de Desempenho se ainda não tiver) a produtividade como importante para permanência ou promoção do trabalhador na organização; c) realizar campanhas internas, para incentivar o uso consciente das redes sociais.

Já ao trabalhador, a este sim cabe toda responsabilidade. Ele deve ser o primeiro a ter consciência de que as redes sociais são frutos da modernidade, frutos da evolução do sistema de comunicação, e representa um novo jeito de interagir com outras pessoas. E isso é bom. Mas, também, tem poder viciante. Ou seja, tal como o cigarro, as drogas ou as bebidas alcoólicas podem viciar, é possível viciar também no acesso às redes sociais. E o pior, um viciado não mede consequências para ter acesso ao que deseja e, querer acessar a rede social para alguns, já é algo que ultrapassou o limite da racionalidade.

Seria algo mais ou menos assim: o líder de determinada área diz a um trabalhador contumaz no uso do smartphone para acesso às redes, que já tenha sido advertido diversas vezes sobre a interferência desta atitude em sua produção; o seguinte: “se eu ver você utilizando seu celular durante o horário de trabalho, conectado em alguma rede social, mais uma vez, serei obrigado a lhe demitir.” E minutos depois deste alerta, este mesmo trabalhador é visto de cabeça baixa, teclando em seu celular no seu espaço de trabalho, como se não tivesse sido alertado. A demissão neste caso seria uma consequência natural de alguém que já está muito viciado no uso das redes sociais. Quem age assim, certamente não está utilizando esta nova forma de conectar-se ao mundo de forma consciente e salutar.

O trabalhador que tem projeto de vida e de carreira está conectado nas redes sociais, está atualizado tecnologicamente, sabe usar com sabedoria esta nova forma de comunicação, usa-a para divertir-se, informar-se, conhecer novas pessoas. Utiliza as redes sociais tanto por interesse particular como profissional, inclusive, para agilizar seus projetos, o que inclui desde a discussão da pauta da próxima reunião até a organização de um churrasco na casa de um amigo. Sabe como, quando e quanto deve utilizar as redes sociais no ambiente de trabalho, de forma equilibrada, prazerosa e produtiva. Equilíbrio talvez seja a palavra mais adequada para definir a melhor estratégia para uso das redes sociais no ambiente de trabalho.

Enfim, a todos os que usam de maneira saudável e àqueles que vão rever os exageros no uso das redes sociais, deixo aqui o meu abraço. E, espero que tenha curtido este artigo.

Sobre Adolfo Plínio Pereira

Professor Adolfo Plínio Pereira é autor do livro: Liderança Humana e de Resultados. Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida pelo UNIFAE, especialista em Gestão Avançada de Pessoas pela PUC. É professor universitário, facilitador de treinamentos, palestrante e consultor empresarial (adolfoplinio@terra.com.br)

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