terça-feira , 21 novembro 2017
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Geração Y versus geração X – Aonde isto nos leva?

Um dos principais desafios organizacionais hoje em dia é criar um ambiente que seja propício ao desenvolvimento intelectual dos colaboradores e que, este desenvolvimento resulte em ações inovadoras e empreendedoras. Entende-se como bom resultado deste projeto, um ambiente onde existam bons relacionamentos, trabalho em equipe e foco em resultados.

Em teoria, este desafio estaria totalmente vencido com a geração “Y”, correto?

Vejamos. Nascidos em uma época bem mais tranquila do que os da geração anterior “X”, essa geração desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica. Os pais, não querendo repetir o abandono das gerações anteriores, encheram-nos de presentes, atenções e atividades, fomentando a autoestima de seus filhos. Eles cresceram vivendo em ação, estimulados por atividades, fazendo tarefas múltiplas. Utilizam com facilidade a tecnologia atual e parecem totalmente receptivos a qualquer outro tipo que possa surgir. É caracterizada, em sua maioria, por pessoas arrojadas, proativas, tecnológicas, com sede de crescimento e realização. Têm se valido desses pontos fortes para alçar voos cada vez mais altos, de forma cada vez mais precoce.

Uma geração de super profissionais, certo?

Recorrendo ao advérbio mais utilizado em nossa profissão, respondo: talvez!

Esta geração de magníficos também é a geração que se desenvolveu em meio a um crescente individualismo e extremada competição. Não são jovens que, em geral, têm a mesma consciência política das gerações anteriores. Possuem uma dificuldade maior para se adaptar as privações e frustrações e também, como as informações aparecem e circulam a uma velocidade e tempo jamais vistos antes, o conhecimento parece que tende a ficar cada vez mais superficial. Esta é uma das razões pelas quais os especialistas estão desaparecendo.

O fato que é um ambiente com tanta superficialidade e competitividade em curto prazo pode até ser bom para os negócios, mas em médio e longo prazo ele não se sustenta. Os índices de afastamentos e distúrbios provenientes das relações de trabalho comprovam isto. O paradoxo é que os profissionais desta geração também são os mais preocupados com o meio ambiente e causas sociais.

Uma das alternativas poderia ser optar por lideranças mais experientes da geração “X”. Mas o relacionamento entre estas duas gerações tende a ser bastante complicado. Não é fácil para um jovem dessa geração ser liderado por alguém da geração “X”, que se vale de sua experiência e vivência para inibir a participação efetiva desses novatos, impedindo que explorem todo o seu potencial.

Esta situação nos coloca a frente de outro fenômeno: os jovens da geração “Y” liderando os profissionais da geração “X”. Isto não caracteriza que os mais novos sejam mais preparados, mas que têm apresentado um comportamento fundamental para o mundo dos negócios: foco em resultados.

As empresas costumam generalizar enfatizando a dificuldade em lidar com profissionais da Geração Y. Realmente alguns não controlam seus impulsos e, por conta da pressa em crescer profissionalmente e do foco exclusivo em suas carreiras, comportam-se de maneira inadequada, não se envolvendo plenamente com a cultura, valores organizacionais e até mesmo com suas responsabilidades.

Tudo isto leva ao pecado original da Gestão de Pessoas: o conflito.

O conflito dentro das organizações seria algo positivo se girasse em torno do negócio, exclusivamente. Mas, geralmente ele se encontra em uma palavrinha simples, mas de difícil trato: ego.

O conflito entre estas duas gerações faz parte do crescimento e evolução humana. É uma transição e sempre haverá transições. Ele só exemplifica o quanto as pessoas, ainda são resistentes aos processos naturais de mudança.

Ambas as gerações se complementam e fazem a roda girar. Imagine o profissional da Geração “X” se permitindo ter acesso aos conhecimentos tecnológicos e comportamentos inovadores dos jovens das gerações “Y”. É quase como se reinventar!

Agora o inverso, os jovens somando experiências práticas aos seus projetos futuros. Quantas oportunidades seriam transformadas em sucesso?

A área de RH cabe a missão de fazer com que ambas as gerações enxerguem este movimento com naturalidade e receptividade. É preciso alimentar os egos com realizações coletivas e reconhece-las individualmente – meritocracia.

É sabido que os problemas de estresses tão presentes nas organizações, quase sempre são derivados das relações pessoais ou profissionais no ambiente do trabalho. Excesso de vaidade e dificuldade em lidar com frustrações, além de líderes despreparados – sejam eles de qualquer geração – são os pontos críticos.

O grande papel social da área de Recursos Humanos é trabalhar para que as pessoas entendam que o trabalho deve ser o MEIO para se relacionar com o mundo. O resultado é o principal indicador de sucesso tanto para as organizações como para os colaboradores. Ele não é a causa do estresse. Ele é razão das pessoas trabalharem para realização de seus projetos pessoais.

Conseguir este avanço social está mais atrelado a alocar o profissional certo a atividade certa, independente das gerações.

“Não são as pessoas que fazem a diferença nas organizações, mas sim as pessoas certas nos locais certos!”

Ego é pessoal, pouco se consegue atuar sobre ele, principalmente por uma ótica profissional.

As relações institucionais avançam cada vez mais para uma queda de hierarquia, onde as relações, parcerias e colaboração prevalecem sobre os “egos” e interesses individuais. Portanto, se entregue ao que há de melhor na geração oposta. Absorva novos conhecimentos, práticas e técnicas. Há quem diga que em breve seremos profissionais de nós mesmos. Precisaremos evoluir como pessoas e também aumentar nosso poder de fogo como bons profissionais, sem perdermos de vista aquilo que realmente importa: nossos sonhos, nossas realizações, família, singularidade.

Sobre Ricardo Robles

Apaixonado por GENTE, diversidade, filosofia, natureza, esporte, empreendedorismo e o simples da vida. Entusiasta das relações humanas e dos resultados obtidos por meio delas. Cofundador da Work4All (www.work4all.com.br). Carreira consolidada na área de Recursos Humanos ao longo dos últimos 20 anos. Especializações em Gestão de Finanças e Controladoria–USP, Gestão de Negócios–FGV, Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard–FIA. Executive Coach formado pela ICF International Coach Federation.

Um comentário

  1. De forma enxuta e esclarecedora, sem muita delonga, o texto soube explicar para os leigos as diferencas entre as geracoes, incluindo a geracao Z, cujo material ainda e muito limitado por falta de pesquisa sobre o tema. Parabens pelo texto, Anderson Carvalho!

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