terça-feira , 21 novembro 2017
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Da competitividade à colaboração – O caminho do engajamento para as empresas

proposito

A competitividade presente no mundo dos negócios sempre existiu dentro das corporações. É uma forma de buscar constantemente a elevação do desempenho das equipes.

Existem muitas empresas que estimulam as competições internas objetivando resultados maiores e melhores. Ela impacta diretamente as questões relacionadas ao capital humano. Seus benefícios são inquestionáveis. A competitividade interna traz foco e dinamismo aos processos industriais e interpessoais. O pensamento voltado para os resultados rápidos, tem na competitividade um argumento bastante lógico e racional para a avaliação e potencialização dos investimentos, incluindo as pessoas.

Desta forma, a competitividade torna evidente o indivíduo com baixa performance e ao melhor estilo industrial, uma “máquina” que não funciona bem, precisa ser trocada imediatamente, assegurando a posição da empresa como concorrente de mercado.

Se por um lado a competitividade traz refinamento aos processos de negócio, por outro ela traz estresse para as pessoas expostas a constantes pressões. A falta de confiança e insegurança presente no ambiente dessas organizações, contribuem para outros problemas como a falta de ética em determinados processos e a falta de colaboração interna.

Se a empresa entende o processo de competitividade como uma maratona para colocar no mercado produtos e serviços, a competitividade se mostra eficiente, dentro das limitações conhecidas. Contudo, o mercado e a sociedade, hoje, mostram claros indícios de preferência pela qualidade, preços justos e condução ética dos negócios.

A nova geração de talentos do mercado de trabalho também não é mais a mesma. Hoje os profissionais são mais conscientes em relação a suas responsabilidades sociais, qualidade de vida e cumplicidade maior com seus valores e propósitos. A qualidade das relações, a preocupação com o meio ambiente, sustentabilidade, a transparência e a coerência com uma visão de futuro parecem motivar estes profissionais muito mais do que os ganhos rápidos e os ônus que trazem.

O volume de informações, a rotina exaustiva, novas tendências, cenários em transformação constante, novas demandas a uma velocidade jamais vista, torna impossível o sucesso para organizações que não atuam de forma colaborativa. Os problemas exigem soluções sistêmicas e as soluções estão na rede de conhecimento e não mais em uma ou duas pessoas talentosas. Entender as necessidades de mercado e preocupar-se com a gestão de pessoas é fundamental para as empresas garantirem a competitividade, de forma coerente com o que o mercado e sociedade esperam.

Chamadas a mudar de direção constantemente, as equipes heterogêneas, com profissionais de várias tribos e gerações precisam atuar juntos e dividirem responsabilidades, angústias e desafios. Isto traz para as empresas e lideranças pressão constante. Estes jovens talentosos, flexíveis e com altíssima capacidade de aprendizado possuem cada vez mais opções de carreira. O empreendedorismo dá a esse jovem a possibilidade de conduzir o próprio destino defendendo seus valores e princípios. Utilizando a inovação, boas práticas, gestão de pessoas com enfoque na sustentabilidade e qualidade de vida em negócios que dependem, quase que exclusivamente, destas mesmas virtudes.

Não resta alternativa às empresas a não ser conectar-se com estes propósitos. Ampliar a visão do lucro, sem obviamente desconsiderá-lo, mas ele por si só não basta para manter estes profissionais atuando e gerando valor para as organizações. Neste ponto, surge o tema engajamento sob a ótica mais ampla. A retenção de talentos de forma estratégica e pautada em soluções tangíveis é cara e ineficiente. A empresa paga caro para reter estes talentos e quando consegue, fica com profissionais descomprometidos de alto custo.

A solução é entender os cenários atuais e as expectativas dos colaboradores, além de construir conexões com aspectos mais intangíveis das organizações, como: cultura organizacional, qualidade de vida, ambiente de trabalho, local físico, sistemas de reconhecimento remunerados ou não, alinhamento com os valores, possibilidades de carreira ou simplesmente uma visão de futuro que seja convergente com a dos colaboradores. Esses fatores democratizam de uma vez por todas a responsabilidade sobre a gestão de pessoas.

Trata-se de um desafio onde a empresa passa por processos constantes de autoconhecimento; os líderes assumem papéis mais amplos do que o de mero chefes e a área de Recursos Humanos passa a ter um enfoque maior no desenvolvimento e manutenção de uma cultura coerente, forte e que se traduza em uma identidade empresarial. O papel estratégico do RH passa a ser a orientação de cima para baixo e não de baixo para cima. É preciso orientar e formar lideranças que praticam o que falam e que possuam alto nível de inteligência emocional e empatia sincera. É preciso criar um ambiente de confiança onde as novas ideias, a inovação e o compromisso com o futuro sejam encorajados, percebidos e reconhecidos pelas equipes.

Uma vez fortalecidos os valores, princípios e propósitos da Organização, o engajamento acontece quase que naturalmente pela simples, mas não simplista, confiança e coerência entre os resultados, a forma como se busca estes resultados e o propósito intangível que ele deve carregar. Nenhum profissional irá se engajar em trazer resultados para os acionistas sem que consiga ver possibilidades para seus próprios desejos e expectativas. Muitas vezes estas expectativas consideram apenas a possibilidade do colaborador se enxergar fazendo algo maior, para si e para a comunidade onde atua. O engajamento parte da confiança e do orgulho por pertencer. Por vezes, isto é tão simples quanto entender o “por que” e “para que” a empresa faz o que faz.

Existem muitas definições sobre engajamento. Engajamento é ligação afetiva, de valores e de objetivos do negócio, congruentes entre colaborador e a organização. Engajar é promover a sustentabilidade dos resultados e isso se consegue com energia, comprometimento, resiliência, entusiasmo, gosto por desafios, autonomia, oportunidade de aprender e ser reconhecido. Estes elementos suportados por um ambiente organizacional de confiança, colaborativo e imperativo em relação às condutas éticas, levam o profissional a sentir-se realizado e, talvez, feliz.

Manter níveis positivos de engajamento é uma vantagem competitiva em relação ao mercado e aos negócios, sobretudo em momentos de crise. O engajamento aumenta em muito a possibilidade de as equipes contribuírem com maior comprometimento, inovação e motivação, mas isso não acontece sozinho ou por acaso.

Estes são atributos que precisam ser construídos, lapidados e constantemente fortalecidos por discursos e atitudes coerentes. É preciso que as empresas realmente pratiquem a sustentabilidade, entendendo que seus lucros são resultados extraídos por meio do reconhecimento do mercado ao trabalho produzido pelos colaboradores e, portanto, são frutos de um sistema que rompe as barreiras das instituições e invadem a comunidade e sociedade como um todo.

Embora a construção do engajamento comece pela proposta de valor da organização e alcance a prática dela por meio das lideranças, não compete a empresa ou lideranças a responsabilidade total sobre ele.

O objetivo do engajamento é a proposta de realização maior no trabalho buscando a felicidade. Sabemos que a felicidade é mais possível em pessoas com personalidades positivas como: otimismo, automotivação, autoestima elevada, sentido de pertencer e influenciar colegas, estar de bem com a vida, ter objetivos claros e que se entusiasma com as buscas e conquistas. O engajamento praticamente forma um pacto entre empresa e pessoas que enxergam no proposito ou na visão de futuro, algo que pode aproxima-lo daquilo que almeja para si, para a sua família e comunidade com a qual se relaciona.  O engajamento é a convergência dos objetivos organizacionais com os objetivos pessoais dos colaboradores.

Para aqueles que não possuem sua própria visão de futuro, valores ou propósitos bem definidos, o engajamento é mais difícil. Estes, enxergam o trabalho como algo que financia suas contas diárias. Encaram o trabalho como uma fonte de sobrevivência. O engajamento é mais possível com pessoas que enxergam o trabalho como a oportunidade de financiar seus sonhos, sua vida e não a sobrevida. Engajamento é paixão.

Infelizmente, nem todos possuem este espírito e as pessoas sem paixão estão inseridas em todos os universos. No geral, são quase sempre negativos em relação ao futuro, têm baixa conexão emocional com a empresa, não arriscam novas atitudes, não gostam de mudanças.  Estes são chamados “desengajados”. Isso não significa que são mais ou menos competentes. Também podem ser ótimos profissionais e podem assumir nova postura com uma reversão positiva.

Já, àqueles chamados “ativamente desengajados” não se sentem parte da organização, promovem a insatisfação, o desprezo pela empresa e contaminam o ambiente com sua negatividade. Possuem o objetivo de desagregar e não devem fazer parte das equipes.

O fato é que não se pode motivar aquele que não possui automotivação. Da mesma forma, aquele que se motiva pelo negativo não ajuda na construção de um ambiente colaborativo e de engajamento. Neste aspecto, o papel de aquisição de talentos e lideranças, tem grande importância na construção de um time que tenha alto grau de engajamento.

Promover o engajamento é trabalhoso, mas faz toda a diferença. Empresas que conquistam este patamar desfrutam de um ambiente altamente produtivo, com líderes que inspiram e formam boa aliança com seus respectivos colaboradores. Os resultados dependem menos do esforço pontual e operacional e mais do empenho intelectual das equipes, que se esforçam por pensar soluções que agregam valor ao invés de paliativos, levando à sustentabilidade. Os momentos turbulentos são ultrapassados com mais leveza e consistência.

Algumas empresas criam estes ambientes com bastante criatividade. Os trabalhos voluntários, por exemplo, geralmente agregam imenso valor social à empresa e grande orgulho por pertencer em seus colaboradores.

Para o engajamento o simples é essencial. O engajamento consiste em praticar com equivalência e paixão aquilo que somos e pensamos, permitindo que cada indivíduo seja único sim, mas que tenha, indiretamente, objetivos em comum com seus colegas e organização.

Uma organização alinhada nesses horizontes atrai talentos, os desenvolve e, comprometidos com o sucesso, eles ficam por muito mais tempo.

 

Autoria: Texto construído em parceria entre Fernanda Soares e Ricardo Robles.

Sobre Ricardo Robles

Apaixonado por GENTE, diversidade, filosofia, natureza, esporte, empreendedorismo e o simples da vida. Entusiasta das relações humanas e dos resultados obtidos por meio delas. Cofundador da Work4All (www.work4all.com.br). Carreira consolidada na área de Recursos Humanos ao longo dos últimos 20 anos. Especializações em Gestão de Finanças e Controladoria–USP, Gestão de Negócios–FGV, Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard–FIA. Executive Coach formado pela ICF International Coach Federation.

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